- Alta de preço nas bolsas alimenta a inflação
Contratos futuros de commodities agrícolas como soja, milho, açúcar, trigo e cacau reforçaram, ontem, temores globais de inflação. Soja e milho bateram recorde na Bolsa de Chicago (CBOT) devido às chuvas que afetam o plantio nos EUA e à alta no preço do petróleo. Desde janeiro, os contratos desses produtos subiram 34,67% e 45,59%, respectivamente. Os títulos de soja para novembro superaram US$ 15 o bushel, fechando a US$ 15,19, segundo recorde do ano. O milho fechou a US$ 7,56 o bushel para entrega em julho, quarto recorde consecutivo e a terceira vez que o papel supera uma marca histórica. "As chuvas no meio-oeste americano estimularam os especuladores a intervir no mercado", diz Heber Cardoso, analista da FCStone.
O trigo também teve alta expressiva de 7,2% e o anúncio de que a Índia voltará a importar açúcar elevou o preço dessa commodity em 5,3%.
Segundo analistas, a "crise dos alimentos" deve durar ao menos mais cinco anos e, no caso brasileiro, é preciso estimular a produção reduzindo custos, com investimento em infra-estrutura. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, diz que o cenário atual pode ser mais uma oportunidade para o Brasil como celeiro mundial de grãos. (Págs. 1 e C8)
- Por 259 votos favoráveis, apenas dois mais que o necessário, a Câmara dos Deputados aprovou ontem a criação da Contribuição Social para a Saúde (CSS), que substitui a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O tributo terá alíquota de 0,1% e arrecadação destinada à Saúde.
O governo comemorou. "Esses recursos vêm em boa hora", afirmou o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), para quem o tributo fará os recursos à Saúde crescerem 30%. A oposição lamentou. O líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), destacou que a votação era um "revanchismo" do governo pela derrubada da CPMF. Para o tucano, a aprovação da CSS representa "falta de sintonia do Parlamento com a população". Para a contribuição vigorar, o projeto terá de ser aprovado no Senado, onde o governo não tem maioria. (Págs. 1 e A9)
- O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi a primeira figura de primeiro escalão que interferiu e centralizou esforços do governo para a venda da VarigLog e da VEM (Varig Engenharia e Manutenção). (Págs. 1 e A11)
- O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), sobre o qual se baseia a meta de inflação do País, fechou com alta de 0,79% em maio, a maior elevação registrada neste período do ano desde a criação do Plano Real, em 1994. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam a pressão persistente dos preços dos alimentos.
O arroz subiu 19,75% em maio, seguido do pão francês e das carnes, que subiram 4,74% e 3,45%, respectivamente. A pressão dos alimentos é preocupante e deveria ser menor nesta época do ano. "É bom lembrar que estamos tratando de um mês do primeiro semestre, período das safras no Brasil", disse Eulina Nunes, coordenadora de índices de preços do IBGE. (Págs. 1 e A8)
- O petróleo voltou a disparar ontem em Nova York, após dois pregões seguidos de trégua, quando havia fechado as sessões em queda. O contrato do WTI teve valorização de US$ 5 e subiu para US$ 136,38, se aproximando do recorde atingido na última sexta-feira, de US$ 138,54. A alta foi atribuída à queda nos estoques semanais de petróleo dos EUA, justamente num período em que há um maior consumo de gasolina no país em função das férias de verão, que motivam as viagens. Para a Agência Internacional de Energia (AIE), há uma crise no setor. (Págs. 1 e C2)
- O forte crescimento do financiamento imobiliário, a taxas acima da captação da poupança, deve fazer com que em breve os bancos securitizem suas carteiras de crédito, por meio da emissão de títulos com lastro em recebíveis imobiliários. Ao venderem suas carteiras, aumentarão os recursos para novos financiamentos.
De outubro de 1994 a março de 2008, foram concedidos R$ 58,4 bilhões em financiamentos, enquanto a captação líquida da poupança no período foi de R$ 26,7 bilhões, o que pode limitar a capacidade dos bancos para mais operações de empréstimos. A maioria das instituições ainda não securitiza suas carteiras de crédito e as mantém em estoque, ou seja, como ativo, para atender à exigibilidade de direcionar 65% dos recursos captados pela poupança para financiamento imobiliário. "A securitização das carteiras dos bancos deve trazer liquidez para o mercado de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs)", afirma Fabio Nogueira, diretor da Brazilian Finance & Real Estate. (Págs. 1 e B1)
- A cervejaria belgo-brasileira InBev confirmou ontem que ofereceu US$ 46,3 bilhões pela norte-americana Anheuser-Busch, fabricante da marca Budweiser. Em comunicado, a InBev afirmou que o preço, de US$ 65 por ação, representa ágio de 35% em relação à cotação média das ações da Anheuser nos últimos trinta dias e é 18% maior que o recorde dos papéis da cervejaria, de US$ 54,97, alcançado em outubro de 2002. "A união criaria uma empresa global mais forte, mais competitiva e sustentável, o que beneficiaria todos os acionistas", disse Carlos Brito, presidente da InBev, no comunicado. (Págs. 1 e A13)
- Unipar e Petrobras anunciam hoje a criação da Petroquímica do Sudeste. Os ativos foram reunidos na Quattor Participações, que terá 60% do capital nas mãos da Unipar, 31,9% ficam com a Petrobras e 8,1% com a Petroquisa, braço petroquímico da estatal. Sob a Quattor Participações estarão Polietilenos União, Rio Polímeros, Petroquímica União e Quattor Petroquímica. (Pág. 1)
- A fabricante de celulose Veracel, associação entre a brasileira Aracruz e a sueco-finlandesa Stora Enso, dobrou os investimentos deste ano para R$ 382 milhões, disse à Gazeta Mercantil o diretor-financeiro, administrativo e de logística, Sidney Leandro. Boa parte do acréscimo aumentará a área plantada para abastecer a segunda linha de produção em fase de aprovação. (Págs. 1 e C7 )
- EVERARDO MACIEL - Na proposta de reforma tributária versão 2008, o governo propõe criar um imposto sobre operações com bens e prestações de serviços. (Págs. 1 e A3)
- IVES GANDRA DA SILVA MARTINS - Acordo que permite que fiscais norte-americanos participem dos trabalhos de fiscalização em empresas brasileiras é inconstitucional. (Págs. 1 e A13)
- THOMAS L. FRIEDMAN - Não seria exagero dizer que a indicação de Barack Obama contribuiu para melhorar a imagem dos Estados Unidos no exterior. (Págs. 1 e A16)
- AUGUSTO NUNES - Para quem quer desvendar o que realmente aconteceu na venda da Varig, o importante é seguir o compadre Roberto Teixeira. (Págs. 1 e A10)
- NELSON ROCCO - O Novo Mercado da Bovespa tem funcionado como grau de investimento para o País, uma espécie de selo de garantia ao acionista. (Págs. 1 e A2)
- Ouro Verde se Movimenta - A paranaense Ouro Verde, 9ª transportadora no ranking da revista Balanço Anual da Gazeta Mercantil, decidiu abrir três frentes simultâneas para ampliar seus negócios. (Págs. 1 e C3)
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